O Projecto Universe Awareness (UNAWE), que arrancou hoje, levará a cabo várias actividades educativas e lúdicas para as crianças, acções de formação para professores, palestras públicas, uma exposição sobre astronomia e uma sessão de observação para o público em geral.
Segundo o investigador da International Astronomical Union explicou ao jornal
«Ciência Hoje»,
"os trânsitos de Vénus são muito importantes por serem fenómenos extremamente raros. As orbitas da Terra e de Vénus estão um pouco inclinadas, uma em relação à outra, e isso faz com que este trânsito só aconteça aos pares, mas estes, por seu lado, só acontecem a cada cem anos”.
Projecto arranca hoje em Timor.
Os trânsitos acontecem num curto espaço de tempo e o próximo será apenas em 2117. O especialista realçou que do ponto de vista científico
"é de grande interesse, porque foi a partir deste acontecimento que se conseguiu calcular a distância da Terra ao Sol” e foi
"fundamental para percebermos não só a dimensão do nosso sistema solar, mas também a da nossa galáxia. É o que nós chamamos de metro cósmico, é a unidade de medição astronómica, ou seja, a distância do nosso planeta ao sol”, continuou.
Medição astronómicaPedro Russo explicou que a medição é feita quando
"dois observadores estão em duas latitudes distintas ou afastadas o mais possível, de onde o trânsito de Vénus seja visível e se um observador, que esteja numa latitude superior segue o planeta a atravessar o sol, vai ver o ponto um pouco mais abaixo do que um que esteja numa inferior, ou seja como se um estivesse a olhar para cima e visse a projecção mais acima e vice-versa”.
A distância é calculada com trigonometria, a partir do momento em que se conhece a distância entre estes dois observadores e a separação do planeta vénus. Este fenómeno astronómico é de suma importância e marcou especialmente o século XIX. Hoje em dia, pode ser utilizado como uma ferramenta de educação, já que permite ensinar história ou matemática.
Pedro Russo sublinha que os timorenses irão presenciar a
"um fenómeno único nas suas vidas e nunca mais o poderão fazer, já que para o próximo será necessário esperar mais de um século". Apesar de o foco ser em Timor, o projecto tem parcerias com outros países da CPLP, como Moçambique ou Brasil, mesmo que a observação não seja visível.